quarta-feira, 13 de junho de 2012

Joana



Cada parte do seu corpo que tocava, evocava nela um suspiro diferente. Gradativamente diferente. O suspiro saía quente, vaporoso por causa do frio inverno que era o seu corpo de mármore. A desistência sofrida, saía como a fruta consente o sumo, o primeiro precoce e ingénuo sumo, com a estridente faca a despi-la. Os homens quando partem para essa guerra levam consigo todas as facas que colheram no caminho, não há tempo para desastear, desapertar, para astúcia ou argúcia, apenas há a vil vontade de lapidar com a faca, apenas há a obrigatoriedade básica e compulsiva, a directiva que arde nas veias como uma inscrição feita que evoca suores frios e medo de um chicote. São gritos, essas cicatrizes, longas e concâvas, fundas a sangue vivo,  feitas por esse chicote, e a sua acumulação é o sinal do tempo, que passa.
O suspiro gradativamente alternava entre os vários tons que no ar ganhava, ou seja, com as diferentes partes que os meus dedos premiam. Julgava-se um piano talvez, mas certamente um xilofone de chuva a cair num charco. Um charco onde nem a minha cara se via. Mirei-o um sem número de vezes de frente, olhos nos olhos, e os seus olhos negros, na sua voraz ânsia de tudo consumir, apenas me devolviam vazio, como um espelho de um interrogatório de uma esquadra norte-americana.
Perguntei-lhe para onde tinha ido a minha imagem, ou o que restava dela agora por Joana consumida. Ela pegou-me na mão, encheu-me a com o seu peito e pediu me para a penetrar.

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